Fernando de Noronha de Veleiro = 2 dias à deriva no meio do oceano


 
Expedição Noronha
 

É pessoal. Fiz uma viagem que começou no dia 19/05/2007 e deu no que deu. Minha mãe pediu TANTO para eu não ir :). Como nunca ouço ninguém, deu no que deu.

Coloquei na minha galeria as fotos da viagem(cliquem na foto que é um link direto) que estão sendo enviadas por todos os “derivantes”. O causo também foi escrito e contado por nosso amigo jornalista Diogo Tavares em seu blog (PautaQuePariu).


Toda épica começou quando vi em meu email um convite irrecusável. Pedi umas férias as pressas na Predicta, um aval da namorada e em 2 dias já estava eu com passagem comprada e viagem marcada.

Na sexta-feira(18/05/2007), embarquei em Guarulhos rumo a Recife. Lá estavam a minha espera um quarto de hotel e 9 pessoas que nunca havia visto na vida. Estavam lá: Darci e sua esposa Isa de Curitiba, Rafael e Lúcia direto de Santos(é, nós caiçaras como vcs chamam vamos dominar o mundo), Diogo Tavares nascido no Rio e jornalista em Salvador/BA, Alexandre direto de Brasília/DF, Fernanda de São Paulo capital e nossa amiga brasileira morando em Madri, Mari. Os tripulantes eram o comandante Fernando, o cozinheiro e figura Manoel e o marinheiro Marquinhos.

No sábado de madrugada(4 da manhã) acordamos e fomos todos rumo a Marina onde estava o veleiro Aussteiger. Embarcamos e começamos nossa aventura. O mar em Recife estava batendo MUITO e um cerco chuvisco. Tomamos o café da manhã, subimos as velas e rumo ao Paraíso localizado a cerca de 180 milhas náuticas de Recife).

Todos passando mal, uma coisa normal quando temos pessoas não ainda acostumadas com o ambiente marítimo mas fomos indo. Após minha vigília noturna das 22:00 às 00:00 do dia 20 para 21(domingo para segunda), chamei nosso amigo Diogo para assumir a vigília e acabei dormindo na popa do veleiro em um dos bancos. Exatamente às 00:28 ouvi um enorme barulho que acordou a TODOS no barco. Um estrondo e barulho de metal retorcendo. Quando olho, o mastro de vela tinha partido no meio e estava balançando para todos os lados. O comandante imediatamente mandou todo mundo para dentro do barco por causa da segurança e ele amarrou a metade do mastro balançando no parte que estava presa para parar de bater. O barulho parou mas o mastro continuava preso por cordas que seguravam a vela e alguns cabos de equipamentos. Por volta das 02 da manhã, o mastro que já estava bem amarrado cerrou os fios e começou a vir para a lateral do barco, onde ficou até o fim da viagem.

Um problema: os motores estavam ligados e os cabos enganxaram no eixo do motor que entortou e ficamos sem motor também. Resultado: Estamos a Deriva. Nossa posição, 80 milhas náuticas de fernando de noronha.

Sensação da deriva: O veleiro parece um João Bobo, e todo mundo que está dentro fica com aquela maravilhosa sensação de tudo balançando.

Enfim, ficamos sem antenas, sem GPS, sem rádio, sem quase tudo exceto 15 dias de comida estocadas, 2000 litros de água doce e o gerador também estava funcionando. Dava para passar uns 20 dias no mar. Ao amanhecer de segunda-feira, conseguimos adaptar a antena UHF na metade em pé do mastro. Conseguíamos ouvir a todos mas ninguém atendia ao nosso pedido: “Mayday, mayday, mayday. Veleiro Aussteiger, veleiro Aussteiger, veleiro Aussteiger. Nossa posição 4 graus e XX minutos sul, 33 graus e XX minutos oeste 3x também.” Veio a noite e começou a bater um certo desespero em todos. Mas todos dormiram.

No dia seguinte, cerca de 05 da manhã acordei com um barulhão. Éra o comandante disparando o sinalizador e fogos de artifício. Olho no horizonte e vejo uma luz que está um pouco longe mas logo desaparece. O rádio VHF portátil setado na freqüência de emergência a mão do comandante tenta sem sucesso um contato. O pessoal resolve dar um pulo no mar para dar uma refrescada e imediatamente um cardume de enormes dourados nos cercam. Um sinal talvez.

Às 10 da manhã o nosso amigo Rafael solta um berro: “Olha, tem um barco ali”. Éra um pesqueiro bem grande a cerca de 5 milhas de nós. Conseguimos contato via VHF e imediatamente o barco vem ao nosso encontro. Depois de cerca de 15 minutos o barco Mucuripe III chega e diz que está indo a Penedo pescar que fica a 200 milhas de fernando de noronha e oferece um reboque até Fernando de Noronha já que é caminho dele.

E fomos, rebocados, chegamos às 06 da manhã de quarta-feira na ilha paradisíaca. Tantos problemas, tantos desencontros mas posso dizer, valeu a pena.

Foram 6 dias, 6 megulhos impressionantes, sem dúvida os melhores de minha vida. Temperatura chegando a 38 graus alguns dias. Muita praia, muito sol.

Cheguei na terça-feira dia 29 de avião(o veleiro foi embora na segunda e eu fiquei em uma pousada de um dia para o outro). Quarta-feira já tinha que ir para o trabalho. Mas, valeu. Em números: 12 dias de férias, 2 dias à deriva, 6 dias em um paraíso, 11 novos amigos.

Quem quer férias melhores que essa?

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Comments

esqueci de comentar:
1) Dei entrevista para a TV Golfinho de fernando de noronha que passa no horário do jornal das 7 na globo de lá;
2) Saiu uma matéria sobre nós no Jornal do Comércio de Recife/PE.

Muito louco…. tinha q ser com vc neh….
Parabens pela aventura…

fala meu camarada “derivado”
chegamos em santos hj 01/06, eu e dona lúcia. aguardamos vc e sua namorada para aquele encontro.
ah! arruma depois a distância de recife pra noronha. são 300 milhas.
aguarde as fotos que tiramos. te ligo depois.
abraços
rafa e lúcia

Não vale mentir porque eu estava lá…só quero que a galera fique sabendo !!!rsrsrsrsrsrs….
PS: não estou com saudades de vc. mas só pra ficar melhor nossa viagem: do dia 06 ao dia 10 vamos estar no Guaruja.Se vc. estiver em Santos vamos nos encontrar ok?!Leva sua namorada que é pra vc. não zicar nosso passeio.

Fala, colega de mergulho!
Excelente relato da situação!
Hj vou te enviar as minhas fotos. E vamos combinar de reunir os “derivados” o quanto antes!

Eu ja morei no Aussteiger. queria saber se tem fotos pra eu matar a sudade.
Grato

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